IPCA-15 desacelera em outubro, mas inflação em 12 meses supera teto da meta

O IPCA-15 desacelerou em outubro e registrou alta de 0,32%, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (23). O resultado ficou abaixo da variação de 0,70% observada em setembro e também veio abaixo das expectativas do mercado.

Apesar da desaceleração no mês, o cenário ainda exige atenção. No acumulado de 12 meses até outubro, o IPCA-15 chegou a 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação. Em setembro, o acumulado estava em 4,47%.

Moedas, cesta de compras e despesas representam os efeitos da inflação no orçamento

IPCA-15 fica abaixo das expectativas

O resultado de outubro veio abaixo das projeções dos analistas. A expectativa do mercado estava próxima de 0,43% a 0,45%, dependendo da pesquisa considerada.

A desaceleração mostra que a inflação perdeu força na comparação com setembro, quando o índice havia avançado 0,70%. Mesmo assim, alguns grupos de produtos e serviços continuaram pressionando o custo de vida das famílias.

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial medida pelo IPCA. A diferença está principalmente no período de coleta dos preços. No indicador de outubro, os preços foram pesquisados entre 16 de setembro e 14 de outubro.

Alimentos continuam pressionando os preços

O grupo Alimentação e bebidas foi um dos principais responsáveis pela alta do IPCA-15 em outubro. A categoria subiu 0,88% e teve o maior impacto entre os grupos pesquisados.

A alimentação consumida dentro de casa avançou 1,01%. Entre os produtos que ficaram mais caros estão o tomate, que subiu 24,54%, a cebola, com alta de 13,63%, a batata-inglesa, que aumentou 10,96%, e o arroz, com avanço de 5,80%.

Por outro lado, alguns alimentos registraram queda de preços. A cenoura recuou 10,67%, enquanto as frutas tiveram redução de 1,37% e o café moído caiu 1,16%.

A alimentação fora de casa também ficou mais cara. O grupo avançou 0,56%, influenciado principalmente pelas altas das refeições e dos lanches.

Energia elétrica ajuda a segurar a inflação

Um dos fatores que ajudaram a limitar a alta do índice foi a energia elétrica residencial.

As tarifas recuaram 0,89% em outubro, depois de terem subido 7,42% em setembro. A queda ocorreu após a mudança da bandeira tarifária para verde, que retirou a cobrança adicional que estava sendo aplicada nas contas de luz.

Esse movimento ajudou a compensar parte das pressões observadas em outras áreas do orçamento das famílias.

Passagens aéreas caem e ajudam o resultado

Outro destaque positivo veio do setor de transportes.

As passagens aéreas caíram 9,24% em outubro e foram um dos principais itens a contribuir para conter a inflação do período. Com isso, o grupo Transportes registrou alta de apenas 0,05%.

A queda das passagens ajudou a compensar a alta dos combustíveis, que aceleraram de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro.

A gasolina subiu 0,92%, enquanto o etanol avançou 2,73% e o óleo diesel teve alta de 3,70%.

Inflação acumulada volta a superar o teto da meta

Mesmo com a desaceleração mensal, o resultado acumulado chama atenção.

O IPCA-15 passou de 4,47% para 4,62% em 12 meses, ultrapassando novamente o teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.

Isso não significa que o Banco Central precise fazer uma justificativa imediatamente. O sistema de metas considera um período mais prolongado para caracterizar o descumprimento do intervalo de tolerância.

O centro da meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite superior é de 4,5%.

O que o resultado pode significar para os juros?

Os dados de inflação são acompanhados de perto pelo mercado porque ajudam a formar as expectativas para a política monetária.

A Selic está em 13,75% ao ano, e o comportamento dos preços será um dos fatores observados pelo Banco Central nas próximas decisões sobre os juros. O mercado atualmente trabalha com a possibilidade de redução da taxa até o fim de 2026, mas os dados de inflação continuam sendo importantes para determinar o ritmo desse movimento.

Uma inflação mais persistente pode dificultar uma queda mais rápida dos juros. Por outro lado, a desaceleração observada no IPCA-15 de outubro mostra que parte das pressões perdeu força na comparação com o mês anterior.

O que o IPCA-15 mostra para o consumidor?

Para o consumidor, o resultado traz sinais diferentes.

De um lado, a inflação mensal desacelerou e ficou abaixo das expectativas. De outro, alimentos importantes da cesta básica ficaram mais caros, enquanto combustíveis também registraram aumento.

Além disso, o acumulado em 12 meses voltou a ficar acima do teto da meta. Isso mostra que, apesar da desaceleração observada em outubro, a pressão sobre os preços ainda não está completamente resolvida.

O próximo dado importante será o IPCA de outubro, que representa a inflação oficial do mês completo. A divulgação está prevista para novembro.

IPCA-15 desacelera, mas cenário ainda exige atenção

O resultado de outubro mostra uma inflação mensal mais moderada, com ajuda principalmente das quedas nas passagens aéreas e na energia elétrica.

Ao mesmo tempo, alimentos e combustíveis continuam pressionando o orçamento das famílias, enquanto o acumulado em 12 meses chegou a 4,62%.

Para os próximos meses, o comportamento dos preços será importante tanto para o consumidor quanto para o mercado financeiro, especialmente nas expectativas sobre os juros e a trajetória da inflação no Brasil.

1 comentário em “IPCA-15 desacelera em outubro, mas inflação em 12 meses supera teto da meta”

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