O dólar e a Bolsa brasileira operam perto da estabilidade nesta sexta-feira (23), no último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O mercado acompanha com atenção o cenário eleitoral, os novos dados de inflação e o ambiente internacional.
Por volta das 10h, o dólar comercial subia 0,16%, cotado a R$ 5,046. O Ibovespa abriu aos 204.121 pontos, praticamente no mesmo nível do fechamento anterior, depois de ter recuado 1,15% na quinta-feira.

Mercado opera com cautela antes da eleição
A proximidade do segundo turno aumenta a cautela entre investidores. Com a disputa presidencial chegando à reta final, novas informações sobre o cenário político podem provocar mudanças nas expectativas para a economia brasileira.
O mercado financeiro costuma acompanhar especialmente possíveis impactos sobre as contas públicas, políticas econômicas, juros e trajetória da dívida. Por isso, períodos próximos a eleições podem apresentar maior oscilação nos preços de ativos.
Nesta sexta-feira, porém, o movimento inicial foi mais contido. O dólar chegou a apresentar pequenas oscilações, enquanto o Ibovespa abriu praticamente estável.
Dólar fica próximo de R$ 5,04
O dólar comercial era negociado próximo de R$ 5,04 no início do pregão.
Na quinta-feira (22), a moeda havia encerrado o dia a R$ 5,038, com alta de 0,22%. O resultado ocorreu em um ambiente de maior cautela dos investidores antes do segundo turno e também diante da piora do cenário internacional.
A cotação do dólar é influenciada por diversos fatores ao mesmo tempo. Além das expectativas relacionadas ao Brasil, entram nessa conta os juros americanos, o comportamento das bolsas internacionais, os preços das commodities e a percepção de risco dos investidores.
Por isso, uma eventual mudança na percepção sobre o cenário econômico brasileiro pode provocar movimentos tanto de alta quanto de queda na moeda.
Ibovespa começa o dia próximo dos 204 mil pontos
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, abriu o pregão aos 204.121 pontos.
Na sessão anterior, o índice havia caído 1,15%, encerrando aos 204.120 pontos. Entre os fatores acompanhados pelo mercado estavam as incertezas relacionadas às eleições, o cenário externo e a alta do petróleo.
A Bolsa também reage ao desempenho das empresas que fazem parte do índice. Resultados corporativos, preços de commodities e expectativas para os juros podem influenciar a direção das ações independentemente do cenário eleitoral.
Inflação também está no radar
Além das eleições, os investidores receberam nesta sexta-feira um novo dado importante sobre a economia brasileira.
O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, desacelerando em relação à alta de 0,70% registrada em setembro. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado.
Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta.
O resultado é acompanhado pelo mercado porque pode influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária.
Uma inflação mais persistente tende a dificultar uma redução mais rápida dos juros, enquanto uma desaceleração mais consistente pode abrir espaço para uma política monetária menos restritiva.
Petróleo também preocupa investidores
Outro fator observado nesta sexta-feira é o comportamento do petróleo no mercado internacional.
A alta da commodity aumenta a preocupação com possíveis efeitos sobre a inflação, principalmente por causa dos combustíveis. Esse cenário pode repercutir nas expectativas para os juros e, consequentemente, afetar ativos financeiros.
Na quinta-feira, as tensões internacionais envolvendo o Oriente Médio contribuíram para aumentar a busca por ativos considerados mais seguros e pressionaram mercados ao redor do mundo.
O que o mercado espera do segundo turno?
O resultado das eleições poderá influenciar as expectativas dos investidores para os próximos meses, principalmente em relação à política fiscal, gastos públicos, trajetória da dívida e condução da economia.
Isso não significa que o resultado eleitoral determine sozinho o comportamento do dólar ou da Bolsa. O mercado também continuará reagindo aos dados econômicos, decisões do Banco Central, cenário internacional e resultados das empresas.
A reação inicial após a eleição também poderá depender de como os investidores interpretarem as primeiras sinalizações do próximo governo em relação à economia.
Por que o dólar e a Bolsa podem reagir à eleição?
O dólar e a Bolsa respondem às expectativas porque os investidores tentam antecipar possíveis mudanças no ambiente econômico.
Se determinada perspectiva for considerada positiva para as contas públicas e para o crescimento econômico, alguns ativos podem se valorizar. Se houver aumento da percepção de risco, pode ocorrer movimento contrário.
Por isso, o mercado pode apresentar oscilações mesmo antes de uma decisão concreta ser tomada. Pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos e expectativas sobre as políticas do próximo governo podem influenciar as negociações.
Mercado entra no fim de semana em clima de expectativa
O pregão desta sexta-feira ocorre em um momento particularmente importante para os investidores. É a última sessão antes da votação de domingo e também foi marcado pela divulgação do IPCA-15.
Até o início do pregão, o dólar permanecia próximo de R$ 5,04 e o Ibovespa girava em torno dos 204 mil pontos. O comportamento dos ativos ao longo do dia ainda pode mudar conforme novas informações surjam no cenário doméstico e internacional.
Para o investidor, o principal ponto de atenção é entender que dólar e Bolsa podem oscilar bastante em períodos de incerteza, e movimentos de curto prazo não necessariamente representam uma tendência para os próximos meses.
O mercado agora aguarda o resultado do segundo turno e as primeiras sinalizações que possam indicar os caminhos da política econômica brasileira.

Pingback: Ibovespa despenca mais de 17% após eleição; entenda