A WEG (WEGE3) registrou lucro líquido de R$ 1,67 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento, o resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas, o que pressionou as ações da companhia durante o pregão desta quarta-feira (21).
A fabricante de motores elétricos, equipamentos industriais e soluções para geração e transmissão de energia também apresentou crescimento da receita no período. O desempenho das operações internacionais teve papel importante nos números divulgados pela empresa.

Lucro da WEG cresce 0,9%
Entre julho e setembro, a WEG teve lucro líquido de R$ 1,67 bilhão, avanço de 0,9% na comparação anual.
O resultado também representou crescimento de 6,8% em relação ao segundo trimestre de 2026, quando a companhia havia registrado lucro de aproximadamente R$ 1,56 bilhão.
Apesar da alta, o resultado ficou abaixo da expectativa média dos analistas, que projetavam lucro de aproximadamente R$ 1,71 bilhão.
Essa diferença entre o resultado efetivamente registrado e a expectativa do mercado ajudou a explicar a reação negativa das ações após a divulgação do balanço.
Receita chega a R$ 10,86 bilhões
A receita líquida da WEG somou R$ 10,86 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 5,7% em relação ao mesmo período de 2025.
As operações no exterior responderam por R$ 6,79 bilhões, avanço de 8,3% na comparação anual. Já a receita no mercado brasileiro chegou a R$ 4,07 bilhões, crescimento de 1,8%.
Com isso, o mercado externo continuou sendo uma importante fonte de receitas para a companhia.
A WEG informou que 62,5% da receita total veio das operações internacionais, a maior participação externa registrada pela empresa.
EBITDA também cresce, mas margem recua
Outro indicador importante do balanço foi o EBITDA.
O resultado alcançou R$ 2,35 bilhões, alta de 3,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e crescimento de 6% na comparação com o trimestre anterior.
Apesar do avanço do EBITDA, a margem EBITDA caiu de 22,2% para 21,6% na comparação anual.
A margem mostra quanto da receita permanece como resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. A redução indica que os custos e despesas cresceram em ritmo que pressionou a rentabilidade da operação.
Custos pressionam as margens
A WEG informou que o aumento dos custos das matérias-primas, especialmente o cobre, contribuiu para a pressão sobre as margens.
A empresa também apontou efeitos relacionados às tarifas de importação nos Estados Unidos e aumento das despesas com pessoal, em razão da expansão da capacidade produtiva.
A margem bruta ficou em 32,9%, ante 33,6% no terceiro trimestre do ano anterior.
As despesas de vendas, gerais e administrativas chegaram a R$ 1,27 bilhão, alta de 7% em relação ao mesmo período de 2025.
Por que as ações da WEG caíram?
Mesmo com lucro bilionário e crescimento da receita, as ações WEGE3 reagiram negativamente ao balanço.
Por volta das 11h desta quarta-feira, os papéis chegaram a registrar queda de 4,63%, sendo negociados perto de R$ 46,53. Ao longo do pregão, a baixa chegou a ser ainda maior.
A reação está relacionada principalmente ao fato de alguns números terem ficado abaixo das expectativas do mercado e à redução das margens.
O lucro esperado pelos analistas era de aproximadamente R$ 1,71 bilhão, enquanto o EBITDA projetado estava próximo de R$ 2,40 bilhões.
Isso mostra que, no mercado de ações, uma empresa pode apresentar lucro e crescimento e, ainda assim, registrar queda na Bolsa quando os resultados ficam abaixo do que os investidores esperavam.
Mercado externo ganha importância para a companhia
O desempenho internacional continua sendo um dos principais pontos do balanço.
As vendas externas cresceram 8,3% em reais no trimestre, alcançando R$ 6,79 bilhões. Em dólar, a receita internacional avançou 14,8%, para US$ 1,32 bilhão.
A América do Norte teve destaque, com receita de US$ 722,8 milhões, alta de 31,1% em um ano.
A região representou 54,7% da receita externa da WEG medida em dólares.
O resultado reforça a importância do mercado internacional para a companhia, principalmente diante de uma demanda mais fraca em algumas áreas da indústria brasileira.
Segmento de energia se destaca
Entre as áreas de atuação da WEG, o segmento de geração, transmissão e distribuição de energia apresentou crescimento relevante.
A receita dessa divisão chegou a R$ 4,19 bilhões, alta de 13,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Segundo a companhia, o desempenho foi influenciado pelas entregas de transformadores no Brasil e nos Estados Unidos, além da demanda por geradores destinados a projetos de energia de reserva para data centers.
O movimento mostra como investimentos em infraestrutura energética e expansão dos data centers vêm criando demanda por equipamentos da empresa.
Equipamentos industriais têm crescimento mais moderado
A principal área da companhia, formada pelos equipamentos eletroeletrônicos industriais, registrou receita de R$ 5,38 bilhões, alta de 1,6% na comparação anual.
A empresa informou que houve demanda firme no exterior em setores como óleo e gás, mineração e sistemas de ventilação e refrigeração para data centers.
No Brasil, entretanto, a menor atividade industrial levou alguns clientes a adiarem investimentos de maior porte.
WEG aumenta investimentos
A companhia também ampliou os investimentos durante o trimestre.
O chamado capex, que representa os recursos destinados a investimentos em máquinas, instalações, tecnologia e expansão da capacidade, somou R$ 905,4 milhões, alta de 34,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Do total investido, 60,2% foram destinados a operações no exterior.
Entre os projetos estão expansões de fábricas de transformadores no México, na Colômbia e nos Estados Unidos, além de investimentos na produção de motores de alta tensão na China.
Como ficou o resultado acumulado no ano
Apesar do crescimento do lucro no terceiro trimestre, o acumulado dos primeiros nove meses de 2026 apresenta queda na comparação anual.
De janeiro a setembro, a WEG registrou R$ 4,68 bilhões de lucro líquido, recuo de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita acumulada chegou a R$ 30,47 bilhões, queda de 0,3%.
No período, as vendas externas cresceram 5,1% em reais, enquanto as vendas no mercado brasileiro recuaram 7,9%.
O que os investidores devem observar
O balanço da WEG mostra uma companhia com crescimento das receitas internacionais e investimentos elevados, mas também com pressão sobre as margens.
Para os investidores, alguns pontos devem continuar no radar:
- desempenho das operações internacionais;
- evolução dos custos das matérias-primas;
- comportamento do cobre;
- impacto das tarifas de importação;
- demanda da indústria brasileira;
- crescimento do mercado de data centers;
- evolução das margens;
- retorno dos investimentos realizados pela companhia.
Esses fatores podem influenciar os próximos resultados e também a percepção do mercado sobre as ações da empresa.
O que significa o resultado para quem investe em WEGE3?
O balanço, isoladamente, não determina se uma ação vai subir ou cair no longo prazo.
No caso da WEG, os números mostram crescimento de receita e lucro no trimestre, mas também revelam pressão sobre as margens e um resultado abaixo das expectativas do mercado.
Por isso, quem acompanha WEGE3 deve considerar o conjunto dos indicadores e não apenas o lucro líquido divulgado.
A queda das ações após o balanço também demonstra que o mercado costuma comparar os números apresentados pela empresa com aquilo que já estava previsto pelos investidores.
Conclusão
A WEG encerrou o terceiro trimestre de 2026 com R$ 1,67 bilhão de lucro líquido, alta de 0,9% na comparação anual. A receita chegou a R$ 10,86 bilhões, enquanto o EBITDA alcançou R$ 2,35 bilhões.
Apesar do crescimento, os resultados ficaram abaixo das expectativas em alguns indicadores e houve redução das margens. A combinação desses fatores ajudou a pressionar as ações WEGE3 durante o pregão.
Ao mesmo tempo, a companhia manteve forte participação das operações internacionais e ampliou os investimentos, principalmente em unidades fora do Brasil.
Para o investidor, o principal ponto agora é acompanhar se a expansão das receitas e dos investimentos será capaz de compensar a pressão sobre os custos e manter a rentabilidade da empresa nos próximos trimestres.
