Desenrola 3.0 pode renegociar até R$ 90 bilhões em dívidas; veja como vai funcionar

O Desenrola 3.0 entra em uma nova etapa nesta quinta-feira (22), com o governo iniciando o processo para identificar as dívidas que poderão ser adquiridas pela União e posteriormente renegociadas com os consumidores.

A expectativa inicial do governo é que bancos, instituições financeiras e fundos apresentem até R$ 90 bilhões em dívidas para a primeira etapa do programa. O objetivo é alcançar pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs) com débitos antigos.

A operação prevê que as instituições ofereçam as carteiras com desconto mínimo de 90%. Caso todo o volume estimado de R$ 90 bilhões seja adquirido nesse patamar, o desembolso da União chegaria a aproximadamente R$ 9 bilhões.

Consumidor analisa contas e possibilidades de renegociação de dívidas no Desenrola 3.0

O que é o Desenrola 3.0?

O Desenrola 3.0 é a terceira fase de um programa criado para facilitar a renegociação de dívidas.

A nova modalidade tem uma diferença importante em relação às anteriores: em vez de depender apenas da negociação direta entre consumidor e credor, a União poderá comprar carteiras de créditos inadimplentes de instituições participantes.

A autorização para esse modelo foi estabelecida pela Medida Provisória 1.393/2026. O texto permite que o governo compre carteiras de dívidas com desconto e repasse aos devedores as condições obtidas na operação.

Governo espera receber até R$ 90 bilhões em dívidas

Nesta primeira etapa, o Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa de até R$ 90 bilhões em dívidas que poderão ser apresentadas pelos credores.

Esse valor não significa que o governo já tenha comprado R$ 90 bilhões em dívidas.

Primeiro, bancos e outras instituições precisam informar quais carteiras estão dispostos a oferecer e em quais condições.

Depois dessa etapa será possível saber o volume efetivamente disponibilizado e definir as condições para a compra.

Como funcionará a compra das dívidas?

O processo será dividido em etapas.

Primeiro, o governo realiza o chamamento de bancos, instituições financeiras e fundos interessados em participar.

Depois, essas instituições terão cinco dias úteis para informar o volume de dívidas que pretendem oferecer.

As carteiras serão analisadas e organizadas de acordo com os critérios estabelecidos pelo programa.

Na sequência, será realizado o processo de compra, previsto inicialmente para novembro, com possibilidade de ocorrer no começo de dezembro.

Desconto mínimo será de 90%

Um dos principais pontos do Desenrola 3.0 é o desconto mínimo exigido na compra das carteiras.

As instituições deverão oferecer as dívidas com deságio de pelo menos 90%.

Isso significa que uma carteira com valor nominal de R$ 100 milhões, por exemplo, teria de ser oferecida por no máximo R$ 10 milhões para atender ao desconto mínimo.

Esse desconto acontece na operação entre o governo e os credores. Ele não significa automaticamente que todo consumidor terá 90% de desconto sobre sua dívida final.

As condições de pagamento oferecidas ao consumidor dependerão das regras da renegociação.

Quem poderá ser beneficiado?

O programa é voltado principalmente para pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs) que possuem dívidas em atraso.

Nesta etapa, o foco está em débitos antigos, com atraso entre dois e quatro anos e meio.

O governo também pretende priorizar os devedores de menor renda, embora a operação possa envolver outras faixas de renda dentro dos critérios estabelecidos.

Consumidor precisa fazer alguma coisa agora?

Não.

Essa é uma das informações mais importantes para quem está esperando uma oportunidade de renegociação.

O chamamento que começa agora é direcionado aos credores, e não aos consumidores.

Bancos, financeiras e fundos é que precisam informar ao governo quais carteiras de dívidas estão dispostos a oferecer.

Portanto, o consumidor não precisa procurar uma agência ou fazer uma inscrição simplesmente por causa da abertura desta etapa.

As condições para a renegociação com os devedores serão definidas posteriormente.

Quando a renegociação poderá acontecer?

A previsão é que a compra das carteiras aconteça entre novembro e dezembro de 2026.

Antes disso, o governo precisa concluir a etapa de habilitação e conhecer o volume de dívidas apresentado pelas instituições.

Por esse motivo, ainda não existe uma lista definitiva de consumidores que serão beneficiados nem uma data única para que todas as pessoas possam renegociar seus débitos.

Quanto o governo poderá gastar?

A estimativa apresentada para a primeira etapa é de até R$ 90 bilhões em dívidas.

Como o desconto mínimo previsto é de 90%, a aquisição de todo esse volume custaria, em tese, até R$ 9 bilhões aos cofres públicos.

Mas esse não é necessariamente o valor final da operação.

O custo dependerá do volume efetivamente apresentado pelos credores e dos descontos obtidos nas compras.

Além disso, a medida provisória permite uma operação maior: o programa pode trabalhar com até R$ 150 bilhões em carteiras de crédito, dentro do limite de recursos públicos previsto na legislação.

E as dívidas dos MEIs?

Os microempreendedores individuais também estão incluídos na nova etapa.

O governo já havia anunciado uma frente específica para dívidas bancárias de MEIs, com previsão de compra de carteiras e descontos mínimos de 90%.

A medida faz parte de um conjunto de ações voltadas aos pequenos negócios e busca facilitar a regularização de empreendedores que enfrentam dificuldades financeiras.

É importante, porém, diferenciar essa renegociação de outras medidas anunciadas recentemente para os MEIs, como propostas relacionadas a dívidas tributárias com a União.

São iniciativas diferentes e possuem regras próprias.

O Desenrola 3.0 vai perdoar as dívidas?

Não é correto dizer que o programa simplesmente vai perdoar todas as dívidas.

O mecanismo previsto é diferente.

O governo poderá comprar determinados créditos dos bancos e outras instituições com desconto. Depois, os débitos serão renegociados seguindo as condições estabelecidas para o programa.

Por isso, o consumidor ainda precisará observar as regras de pagamento que serão apresentadas quando a etapa de renegociação estiver disponível.

Por que o governo está comprando dívidas antigas?

A ideia é atuar sobre créditos considerados de difícil recuperação pelas instituições financeiras.

Ao vender essas carteiras com grande desconto, os credores recebem algum valor pelos créditos que possuem.

Ao mesmo tempo, o governo passa a administrar a renegociação com os devedores dentro das condições do programa.

A expectativa é que o mecanismo permita ampliar o número de pessoas com possibilidade de regularizar sua situação financeira e voltar a ter acesso ao crédito.

O que falta definir?

Apesar do avanço desta quinta-feira, ainda existem pontos que serão conhecidos ao longo da implementação.

Entre eles estão:

  • o volume efetivo de dívidas oferecido pelos credores;
  • quais carteiras serão compradas;
  • a distribuição por faixa de renda;
  • as condições de pagamento para os consumidores;
  • os procedimentos para acesso à renegociação;
  • e o calendário definitivo das operações.

Por isso, informações sobre descontos individuais e valores das parcelas ainda não devem ser tratadas como definitivas.

Como o consumidor deve se preparar?

Quem possui dívidas e pretende participar do Desenrola 3.0 pode começar reunindo informações sobre seus débitos.

É importante saber:

  • qual instituição é a credora;
  • qual é o valor aproximado da dívida;
  • há quanto tempo ela está atrasada;
  • se o débito está registrado em seu nome;
  • e quais condições de pagamento caberiam no orçamento.

Também é importante evitar assumir uma nova parcela sem verificar se ela realmente cabe nas despesas mensais.

Uma renegociação pode ajudar na organização financeira, mas o consumidor precisa avaliar o valor total que será pago e não apenas o tamanho do desconto anunciado.

Desenrola 3.0 começa uma nova etapa nesta quinta-feira

O Desenrola 3.0 avança nesta quinta-feira (22) com o chamamento de bancos, instituições financeiras e fundos para apresentar carteiras de dívidas que poderão ser adquiridas pela União.

A expectativa inicial é trabalhar com até R$ 90 bilhões em dívidas, com desconto mínimo de 90% na compra das carteiras.

O processo ainda terá outras etapas antes de chegar efetivamente ao consumidor.

Por isso, quem está endividado não precisa fazer uma inscrição agora. O momento atual é de organização da oferta de dívidas pelos credores.

A previsão é que os leilões ocorram entre novembro e dezembro, quando serão conhecidas as condições das operações e os próximos passos para a renegociação.

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