O IGP-M subiu 1,47% em outubro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice acumula alta de 4,97% no ano e de 5,24% nos últimos 12 meses.
O indicador é acompanhado de perto por consumidores, empresas e proprietários de imóveis porque é utilizado como referência em diversos contratos, incluindo contratos de aluguel.
Apesar disso, o resultado do IGP-M não significa que todos os aluguéis terão automaticamente um reajuste de 5,24%. O percentual efetivamente aplicado depende do que foi estabelecido no contrato e da data prevista para o reajuste.

IGP-M desacelerou em outubro
A alta de 1,47% registrada em outubro representa uma desaceleração em relação ao mês anterior. Em setembro, o IGP-M havia avançado 1,57%.
Mesmo com a desaceleração mensal, o índice acumulado em 12 meses aumentou de 3,34% em setembro para 5,24% em outubro. No acumulado de 2026, a alta chegou a 4,97%.
O resultado mostra que o comportamento dos preços acompanhados pelo indicador voltou a apresentar pressão depois de meses de oscilações negativas.
Em agosto, por exemplo, o IGP-M havia registrado queda de 0,22%, enquanto julho teve retração de 1,16%.
Por que o IGP-M é importante para o aluguel?
O IGP-M é um dos indicadores utilizados como referência para reajustes contratuais no Brasil. Entre suas aplicações está o mercado de locação de imóveis.
Isso significa que um contrato de aluguel que tenha o IGP-M como índice de reajuste pode utilizar a variação acumulada no período previsto para calcular a correção do valor.
Entretanto, é importante observar o contrato antes de calcular quanto o aluguel irá aumentar.
Nem todos os contratos utilizam o IGP-M. Além disso, proprietário e inquilino podem ter acordado outro índice ou outras condições para a atualização do valor.
Por isso, o percentual de 5,24% acumulado em 12 meses deve ser entendido como uma referência do indicador, e não como um reajuste automático para todos os contratos.
Quanto ficaria um aluguel com reajuste de 5,24%?
Para entender o impacto no bolso, é possível fazer uma simulação utilizando o acumulado de 12 meses do IGP-M.
Se um contrato previsse um reajuste exatamente de 5,24%, os valores ficariam aproximadamente assim:
| Aluguel atual | Reajuste de 5,24% | Novo valor |
|---|---|---|
| R$ 1.000 | R$ 52,40 | R$ 1.052,40 |
| R$ 1.500 | R$ 78,60 | R$ 1.578,60 |
| R$ 2.000 | R$ 104,80 | R$ 2.104,80 |
| R$ 2.500 | R$ 131,00 | R$ 2.631,00 |
| R$ 3.000 | R$ 157,20 | R$ 3.157,20 |
Esses valores são apenas uma simulação matemática. O reajuste efetivo depende do contrato e do índice utilizado.
Como o IGP-M é calculado?
O IGP-M é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o FGV IBRE.
O indicador reúne três componentes: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com peso de 60%; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30%; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com peso de 10%.
Essa composição faz com que o IGP-M acompanhe diferentes etapas da economia, desde os preços praticados no setor produtivo até os valores que chegam ao consumidor e os custos relacionados à construção.
Por isso, o indicador pode apresentar comportamento diferente de outros índices de inflação.
IGP-M não é o mesmo que inflação oficial
Uma dúvida comum é confundir o IGP-M com o índice utilizado para medir a inflação oficial do país.
São indicadores diferentes e possuem metodologias próprias.
O IGP-M acompanha uma cesta mais ampla de preços e possui forte participação dos preços ao produtor. Já outros índices de inflação são construídos com metodologias específicas para medir a variação dos preços enfrentados pelos consumidores.
Essa diferença é importante principalmente para quem acompanha contratos, investimentos e decisões financeiras.
O que o resultado significa para quem paga aluguel?
Para o inquilino, o principal ponto de atenção é verificar a data de aniversário do contrato e qual índice foi definido para o reajuste.
Se o contrato utilizar o IGP-M e o período de atualização coincidir com a variação acumulada divulgada pela FGV, o percentual poderá servir como base para a correção.
Antes de considerar um aumento de 5,24%, porém, é necessário conferir as condições estabelecidas no contrato.
O valor também pode ser objeto de negociação entre as partes, dependendo das circunstâncias e das regras aplicáveis ao contrato.
Por isso, o inquilino não deve simplesmente aplicar o percentual sobre o aluguel sem verificar primeiro qual é o índice e qual período de referência deve ser utilizado.
Proprietários também devem acompanhar o indicador
O resultado do IGP-M também interessa aos proprietários de imóveis que utilizam o índice em seus contratos.
O indicador permite acompanhar a evolução dos preços que servem de referência para a atualização contratual.
No entanto, aplicar corretamente o reajuste exige atenção à data prevista no contrato e ao período de acumulação correspondente.
Um contrato que tenha aniversário em outro mês, por exemplo, poderá utilizar um acumulado diferente do percentual divulgado para outubro.
IGP-M acumulou 5,24% em 12 meses
Com o resultado de outubro, o IGP-M passou a acumular alta de 5,24% em 12 meses. No acumulado de janeiro a outubro, a variação chegou a 4,97%.
A trajetória ao longo de 2026 foi marcada por oscilações importantes. O índice chegou a registrar quedas em alguns meses, antes de voltar a apresentar altas mais expressivas.
Essa variação reforça a importância de observar o período correto de cada contrato em vez de utilizar automaticamente o último número divulgado.
O que fazer antes de negociar o reajuste?
Quem está próximo da renovação do contrato de aluguel pode tomar algumas medidas simples antes de aceitar ou propor um novo valor.
O primeiro passo é verificar qual índice está previsto no contrato.
Depois, é importante conferir a data de aniversário do contrato e identificar qual variação acumulada deve ser aplicada.
Também vale comparar o novo valor com os preços praticados no mercado imobiliário da região. O preço de um aluguel não depende apenas de índices econômicos, mas também de localização, características do imóvel, oferta e procura.
Em uma negociação, essas informações podem ajudar tanto o proprietário quanto o inquilino a chegar a um valor adequado.
Resultado exige atenção de quem tem contratos indexados
O avanço de 1,47% do IGP-M em outubro e o acumulado de 5,24% em 12 meses colocam o indicador novamente no radar de quem possui contratos indexados ao índice.
Para quem paga aluguel, entretanto, o número divulgado pela FGV não deve ser interpretado isoladamente.
A melhor maneira de saber o impacto sobre o orçamento é verificar as condições do contrato, o índice escolhido e o período exato do reajuste.
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Com planejamento e atenção às condições contratuais, o consumidor consegue entender melhor quanto poderá pagar e se preparar para eventuais mudanças no orçamento.
O resultado do IGP-M de outubro mostra, mais uma vez, como os indicadores econômicos podem ter impacto direto sobre decisões financeiras do dia a dia.

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